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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ

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Consciência Negra: importância da ancestralidade dos povos africanos no Brasil

Por Anny Santos 

Sendo comemorado na data da morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares e símbolo da luta e resistência dos negros escravizados, o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) simboliza a reflexão sobre a importância da ancestralidade dos povos africanos no Brasil. A Universidade Estadual do Piauí (UESPI) apoia a educação que valoriza todas as pessoas sem qualquer tipo de distinção.

A pesquisa científica, além de um dos pilares da universidade pública, é uma importante aliada no desenvolvimento pessoal e profissional dos discentes. Dentre as realizadas na instituição, o projeto de pesquisa “As Manifestações Culturais das Comunidades Quilombolas Custaneira/Tronco: Um Estudo Folkcomunicacional” é uma iniciativa da professora Jaqueline Torres, do curso de Jornalismo, no campus de Picos, que surge a partir da necessidade de observação e compreensão da visibilidade e valorização cultural da infância quilombola.

Com o objetivo de estudar os processos folkcomunicacionais que ocorrem no interior de comunidades quilombolas Custaneira/Tronco,  na cidade de Paquetá do Piauí, a iniciativa surgiu a partir da pesquisa de doutorado da docente, que abordava o processo de socialização das crianças quilombolas. Para a Professora, no âmbito do jornalismo, estudos como esse são importantes para criar, nos futuros jornalistas, a ciência da alteridade.

“Essas pesquisas contribuem para o conhecimento e a propagação sobre os processos folkcomunicacionais presentes nas comunidades quilombolas, além de aumentar a visibilidade dessas comunidades junto à sociedade de um modo geral. Esses discentes, enquanto futuros profissionais da comunicação precisam se colocar no lugar do outro, conhecê-lo, ouvi-lo para poder escrever. E entendemos que a comunidade é o ambiente propício para aprender tais habilidades”, destaca.

Inicialmente, o PIBIC 2021/2022 passou a ser um projeto de extensão 2022/2023 por se tratar de um trabalho etnográfico, que exige a experiência de se inserir em campo englobando a retratação de diários de campo, registros fotográficos e entrevistas, além da grande demanda de inscrições dos alunos.

Lara Lopes, aluna do 3° período do curso Jornalismo, em Picos, ressalta que as comunidades Custaneira/Tronco já acolhiam a equipe de pesquisa desenvolvida por Janaína Alvarenga e Luciano Figueiredo, também professores do campus , abrindo meios para um desmembramento possibilitando o surgimento dos microprojetos.

Lara Lopes, aluna do 3° período do curso Jornalismo em Picos

Lara Lopes, aluna do 3° período do curso Jornalismo em Picos

“Dentre esses microprojetos é iniciada a pesquisa etnográfica com as crianças quilombolas das comunidades Custaneira/Tronco, onde durante a realização do evento anual “Encontro de casas de Terreiros de Comunidades Quilombolas” é realizada uma oficina de leitura e apresentada a obra O Pequeno Príncipe Preto”.

A obra consiste em uma releitura que pauta a representatividade das raízes africanas no povo negro do Brasil, que por conta de uma estrutura discriminatória inviabiliza o acesso da população a obras de conteúdos de valorização e representatividade negra. A abordagem literária consistiu na apresentação da história juntamente a teatralização dela por meio de “dedoches” customizados artesanalmente com material reciclado coletado no próprio campus pelos alunos envolvidos.

A oficina contou com a colaboração de 10 alunos do segundo período do curso de Jornalismo, sendo elaborada com uma linguagem simples e interativa visando prender a atenção das crianças.

“A importância dessas abordagens acadêmicas para cultura de valorização das comunidades quilombolas é a própria aproximação social e humanitária, a troca de experiências e respeito, que por sua vez desmistificam preconceitos e promovem maior compreensão da estrutura comportamental e cultural dos costumes que hoje massivamente se entendem como brasileiro, sem se dar conta da grande parcela de contribuição da cultura negra como amplamente formadora também de saberes de diversas áreas”, finaliza a aluna.

Consciência Negra: estudante do curso de Direito fala sobre o sistema de cotas

Por Clara Monte

Durante o mês da Consciência Negra, são promovidas ações de combate ao racismo e reconhecimento da luta pela igualdade social. Na Universidade Estadual do Piauí (UESPI) as políticas de inclusão são trabalhadas desde a sua fundação. O sistema de cotas é uma dessas políticas.

A UESPI reserva, em cada seleção para ingresso nos cursos de graduação, no mínimo 50% das vagas para estudantes que tenham cursado integralmente o Ensino Médio em escolas da rede pública de ensino, com renda per capita de até 1,5 (um e meio) salários mínimos. Destas reservas, 45% serão destinadas a pessoas negras, pardas, quilombolas e indígenas.

A Assessoria de Comunicação da UESPI realizou uma entrevista com a aluna Kamily Vitória Barbora, de 19 anos, que cursa atualmente o terceiro período do curso de Direito, do campus Clóvis Moura da Universidade Estadual (UESPI). Ela é uma das ingressantes na universidade pelo sistema de cotas para estudantes negros que estudaram em escolas públicas.

Estudante Kamilly Vitória

Ascom: Para você, qual a importância do Sistema de Cotas na sua vida?

Kamilly Vitória: Para mim, essa medida é muito importante e necessária, já que historicamente existe uma defasagem de oportunidades entre estudantes de escolas públicas versus estudantes de escolas particulares, que se agrava mais ainda quando esses estudantes são negros.

Ascom: A UESPI possui 74% dos seus professores autodeclarados pretos ou pardos. Como você se sente com essa representação?

Kamilly Vitória: Tenho um professor negro, inclusive o mesmo é coordenador do curso direito no Campus Clóvis Moura. Pra mim, é uma grande representatividade.

Ascom: O dia 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra. O que a data representa para a luta antirracista?

Kamilly Vitória: Eu considero como uma data necessária que traz um pouco para a sociedade a importância de se conscientizar sobre as questões raciais, principalmente em relação ao antirracismo. Ainda existe muita desinformação causada pelo racismo estrutural que permeia a sociedade brasileira como um todo, então acredito que datas como essa trazem oportunidades a pessoas pretas a falarem sobre o racismo e como ele pode e deve ser combatido.

Ascom: Você acredita que existe o racismo velado na sociedade?

Kamilly Vitória: Sim, principalmente aqui no Brasil por conta do mito da ”democracia racial”, como se todos os grupos raciais do país vivessem em perfeita harmonia, o que não é o caso, e faz com que as pessoas acreditem que esse racismo não existe e por consequência, que ele seja praticado de uma forma mais velada.

Ascom: Qual a importância da Universidade promover discussões sobre esse tema?

Kamilly Vitória: É extremamente importante que universidades públicas promovam discussões sobre o racismo, principalmente em um país composto na sua maioria por pessoas negras. A universidade deve ser um espaço de inclusão que promova a conscientização sobre as questões envolvendo todas as minorias da sociedade.

Ascom: Você como estudante de direito, acredita que possa ajudar na luta contra a discriminação ainda presente na sociedade?

Kamilly Vitória: Sim, ainda que o judiciário também seja permeado por muita desigualdade racial, acredito que posso auxiliar no combate ao racismo promovendo discussões em torno desse tema que possam chegar a conselhos como a OAB, juízes, promotores e demais profissionais do direito.

Ascom: Você gostaria de deixar alguma mensagem final?

Kamilly Vitória: Fico feliz que tenha sido convidada a dar essa entrevista, pois é um sinal que a universidade está aberta a dar espaço para pessoas negras contarem sobre suas vivências, especialmente enquanto estudantes universitários.

 

 

 

Dia da Consciência Negra: Uespi tem maior representatividade de professores entre pretos

Por Giovana Andrade e João Fernandes

No mês da Consciência Negra, a Universidade Estadual do Piauí (UESPI) vem reforçar um dos pontos centrais da sua missão institucional, que é a contribuição para o desenvolvimento social do Brasil. Vencer o racismo e todas as formas de exclusão é uma bandeira que a UESPI defende. Seja por meio de políticas inclusivas, programas de bolsas ou ações de extensão, a UESPI busca a integração de todos e todas em seus campi.

Segundo o último censo da Educação Superior, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), a UESPI conta com 750 professores autodeclarados negros e pardos.

O Reitor da UESPI, Prof. Doutor Evandro Alberto, chama a atenção para o acolhimento e a reflexão no mês de novembro, mês da consciência negra. Ele afirma que essa reflexão deve ser diária para que o racismo deixe de fazer parte de qualquer ambiente e comunidade.

Audio do Reitor da UESPI

 

Para o coordenador de Ciências contábeis, Prof. Domingos Sávio, sua própria trajetória demonstra que é possível o negro, a negra conquistar o seu espaço. Segundo ele, o Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, é uma forma de  chamamento  para não estar indiferente com o que acontece no entorno da própria realidade.

“Muitas vezes, pessoas negras não conseguem atingir seus objetivos  por pensar que esse espaço não lhe cabe, que era inatingível se não fosse a lei de cotas raciais. Nós podemos conquistar o que desejamos e queremos.  Já fui cabo do exército brasileiro, tendo ido para reserva apto a 3°  Sargento, já fui Encarregado do Crédito, cadastro e cobrança na Fundição Brasil S.A, em São Paulo, chegando no Piauí, fui Diretor e Contador da INSOPISA, indústria de Soro do Piauí S.A, na época, um dos acionista era o Governador do Piauí. Eu também fui Diretor do Colégio Dinâmico, Professor da  Faculdade CEUT durante 18 anos, Professor da Faculdade FAP durante 13 anos. Nestas faculdades onde ministrei aulas sempre fui bem avaliado e recebi alguns reconhecimentos. Hoje, sou Professor efetivo e Coordenado do Curso  de Ciências Contábeis da UESPI. Durante toda essa minha trajetória, eu, em momento algum, não percebi nem um ato de racismo”.

 

Domingos Sávio, coordenador de ciências contábeis.

Para o professor, a luta é diária e a resistência do povo negro não pode ser deixada de lado. Ele também destaca a educação como meio para o combater qualquer discriminação ou preconceito. A resistência também é destaque nas palavras do professor Alcir Rocha, coordenador do curso de Direito e diretor do campus de Corrente.
Para ele a data reforça o empenho que negros ainda têm que fazer para ocupar espaços. Além disso, para o professor a representatividade negra na UESPI demostra o empenho da comunidade em ocupar espaços relevantes em nossa instituição.

“Ser melhor em sua atuação. Escrever melhor. Dirigir melhor. Falar melhor. Ser melhor nos conduzira para uma perspectiva de que podemos como comunidade, ir mais longe, e servir de referência para que os outros da nossa cor, enxerguem a possibilidade dos que por muito tempo foram marginalizados, se tornarem protagonistas da sociedade. Viver para negro já é um ato de resistência. Ser melhor, em qualquer coisa, é superar os paradigmas”, declarou o professor.

Alcir Rocha, Diretor do campus de Corrente.

Curso de História promove VII Encontro da Consciência Negra de Floriano

Por João Fernandes

O mês de novembro é lembrado como mês da Consciência Negra, diante disso, o Curso de História da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), campus Dr. Josefina Demes em Floriano promove na próxima terça feira (22/11) o 7° Encontro da Consciência Negra. O evento acontece em função do Dia Nacional da Consciência Negra, criado em 9 de janeiro de 2003, através da lei 10.639 e comemorado no dia 20 de novembro.

O 7° Encontro da consciência Negra contará com a apresentação de projetos de leitura sobre o Livro Torto Arado, de Itamar Vieira Jr, além do lançamento do Livro A Escola do Estabelecimento Rural de São Pedro de Alcântara, escrito pelo jornalista e pedagogo, Jalinson Rodrigues de Sousa. 

Segundo Robson Pereira, professor do curso de História e um dos organizadores do evento, a ideia é apresentar para a comunidade acadêmica os resultados de pesquisas relacionadas a comunidade negra, além dos resultados de projetos leituras feitas por alunos e docentes.  “Neste ano vamos trazer novas perspectivas históricas sobre a comunidade negra, trazendo ralações entre os livros literários e artigos científicos vistos em sala, além disso, faremos provocações de leituras sobre estes temas”, destacou o professor.

O evento é gratuito acontece presencialmente no auditório do campus, a partir das 19h. A ação engloba uma série de atividades promovidas pela Secretaria de Cultura de Floriano em parceria com instituições de ensino da cidade.