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Guia ilustrado apresenta a diversidade da flora do Parque Estadual Serra de Santo Antônio

Por Roger Cunha 

A diversidade vegetal do Parque Estadual Serra de Santo Antônio, localizado no município de Campo Maior, passou a contar com um importante instrumento de valorização científica e ambiental: o Guia Ilustrado da Flora do Parque Estadual Serra de Santo Antônio. A publicação reúne espécies vegetais identificadas em áreas estratégicas de visitação do parque, contribuindo para o conhecimento, a preservação e a educação ambiental na região.

Guia ilustrado convida visitantes a enxergar a Serra de Santo Antônio além da paisagem

O guia é resultado de um trabalho de pesquisa desenvolvido com o apoio da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e foi selecionado pela Chamada Interna de Incentivo à Inovação e à Pesquisa Científica e Tecnológica (UESPI-TECH), em 2023, iniciativa que fomenta projetos voltados à produção científica e à inovação no âmbito da universidade.

A obra apresenta espécies pertencentes a dois grandes grupos vegetais: angiospermas, conhecidas como plantas com flores, e briófitas, como musgos e hepáticas, que desempenham papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas. As espécies foram catalogadas a partir de levantamentos realizados em locais de grande fluxo de visitantes, como a Rota das Cachoeiras, a Escadaria do Cruzeiro, o Mirante Brisa da Serra e o Morro do Bugarim.

Com caráter didático e científico, o guia reúne imagens e descrições morfológicas das plantas, além de informações taxonômicas que facilitam a identificação das espécies durante visitas ao parque ou em atividades acadêmicas. O material foi pensado para atender tanto pesquisadores quanto estudantes, professores, gestores ambientais e o público em geral interessado na biodiversidade local.

Além de ampliar o registro da flora presente no parque, a publicação contribui para o fortalecimento da educação ambiental e para a promoção do uso sustentável da unidade de conservação, ao incentivar uma relação mais consciente entre visitantes e o patrimônio natural. O guia também se consolida como ferramenta de apoio à pesquisa científica e ao monitoramento ambiental da área.

Guia ilustrado convida visitantes a enxergar a Serra de Santo Antônio além da paisagem

 Hermeson Cassiano um dos organizadores do guia, destaca que a publicação cumpre um papel fundamental ao aproximar o conhecimento científico do cotidiano da população. Segundo ele, ao transformar dados técnicos em um material visual, didático e acessível, o guia amplia a compreensão sobre a flora local e fortalece a consciência ambiental dos visitantes. “Conhecer as espécies que compõem o parque é essencial para que as pessoas entendam o valor desse patrimônio natural e se sintam parte do processo de preservação”, afirma.

Ele explica ainda que o trabalho exigiu um esforço contínuo de pesquisa e sistematização das informações, desde as expedições de campo até a organização final do material. De acordo com o organizador, o levantamento criterioso das espécies, aliado ao registro fotográfico e à identificação taxonômica, garante a confiabilidade científica do guia e sua utilidade tanto para pesquisadores quanto para o público geral. “A ideia foi construir um material que dialogasse com diferentes públicos, sem perder o rigor científico”, pontua.

Para ele, o guia também se consolida como uma ferramenta estratégica para a educação ambiental e o turismo sustentável no Parque Estadual Serra de Santo Antônio, ao incentivar uma relação mais consciente entre visitantes e o meio ambiente. Hermeson ressalta que a iniciativa reforça o papel da universidade pública na produção de conhecimento aplicado e no compromisso com a preservação da biodiversidade do Piauí, promovendo a integração entre pesquisa científica, formação acadêmica e sociedade.

Guia ilustrado convida visitantes a enxergar a Serra de Santo Antônio além da paisagem

Outra organizadora do guia, Josiane Silva Araújo, ressalta que a publicação possui relevância científica, ambiental e pedagógica ao registrar de forma sistematizada a composição florística do Parque Estadual Serra de Santo Antônio. De acordo com ela, o material estabelece uma base de dados fundamental sobre a flora local, com foco nos grupos das briófitas e das angiospermas, contribuindo para estudos futuros sobre biodiversidade e conservação no Piauí. “O guia documenta espécies que muitas vezes passam despercebidas, mas que desempenham funções ecológicas essenciais para o equilíbrio do ecossistema”, explica.

Ela destaca ainda que o planejamento da pesquisa foi estruturado a partir de critérios metodológicos bem definidos, priorizando áreas de maior fluxo de visitantes e contemplando diferentes períodos do ano. Segundo a organizadora, as expedições de campo ocorreram tanto no período chuvoso quanto no seco, o que possibilitou uma amostragem mais representativa da diversidade vegetal do parque. “O objetivo foi registrar espécies que realmente fazem parte da experiência dos visitantes, aquelas que podem ser observadas ao longo das trilhas e áreas de visitação”, pontua.

Para a pesquisadora, uma das principais contribuições do guia está na sua capacidade de transformar o conhecimento científico em uma ferramenta de educação ambiental aplicada. Ao reunir imagens ilustrativas e descrições em linguagem acessível, o material permite que o público identifique as espécies no próprio local, tornando a visitação uma experiência educativa. “Quando o visitante passa a reconhecer as plantas ao seu redor, ele se torna um observador mais atento e consciente, e isso fortalece diretamente a preservação”, afirma.

Josiane Silva Araújo também chama atenção para o papel do guia no monitoramento ambiental do parque, ao estabelecer um registro inicial da flora presente nas áreas de maior visitação. Segundo ela, esse levantamento pode subsidiar futuras avaliações sobre impactos ambientais e mudanças na composição vegetal ao longo do tempo, além de ampliar a valorização de grupos historicamente pouco visibilizados, como as briófitas, fundamentais para a retenção de umidade, formação do solo e manutenção de micro-habitats.

A organizadora reforça ainda que a seleção do projeto pela Chamada Interna de Incentivo à Inovação e à Pesquisa Científica e Tecnológica (UESPI-TECH) foi determinante para a concretização da pesquisa. “O financiamento permitiu viabilizar as atividades de campo, a aquisição de equipamentos e a estruturação do material final, tornando possível transformar uma proposta acadêmica em um produto científico acessível à sociedade”, conclui.

Guia ilustrado convida visitantes a enxergar a Serra de Santo Antônio além da paisagem

O estudante Emenson Silva, que integrou a equipe de elaboração do guia, destaca que a participação no projeto representou uma experiência marcante tanto no aspecto pessoal quanto acadêmico. Segundo ele, o envolvimento com a pesquisa possibilitou revisitar o Parque Estadual Serra de Santo Antônio sob uma nova perspectiva, voltada à observação detalhada da diversidade florística presente nas diferentes rotas do parque. “O trabalho me permitiu enxergar o parque de uma forma diferente, com mais atenção à riqueza das espécies vegetais que compõem cada percurso”, relata.

No campo acadêmico, Emenson Silva ressalta que a vivência proporcionou contato direto com as etapas práticas da pesquisa científica. De acordo com o estudante, acompanhar pesquisadores mais experientes durante o planejamento das atividades e as coletas em campo foi fundamental para compreender a dinâmica e o rigor que envolvem esse tipo de trabalho. “Foi uma experiência nova presenciar como as pesquisas são organizadas, desde o planejamento até a execução das coletas”, afirma.

Ele também destaca que o projeto contribuiu significativamente para o desenvolvimento de habilidades técnicas e organizacionais. O estudante explica que teve a oportunidade de aprender sobre a catalogação das amostras, a importância do planejamento prévio das expedições e a eficiência nos procedimentos de coleta. Além disso, a experiência incluiu o contato com o processo editorial do guia, por meio da colaboração com uma editora, ampliando sua formação para além do campo estritamente científico.

Para Emenson Silva, o guia cumpre ainda um papel estratégico ao aproximar a sociedade da produção científica desenvolvida na universidade. Segundo ele, a publicação funciona como uma ponte entre a pesquisa acadêmica e o público geral, ao tornar acessíveis os resultados do trabalho científico. “É uma forma de mostrar à comunidade a importância da pesquisa e de incentivar novos estudos que também tenham esse compromisso com a divulgação do conhecimento”, pontua.

O estudante acrescenta que a participação direta nas etapas de coleta e identificação ampliou sua percepção sobre a diversidade vegetal da Serra de Santo Antônio. Ao trabalhar com diferentes famílias botânicas, ele passou a reconhecer características distintas entre as espécies e a compreender melhor a complexidade do ecossistema local. “Conhecer essa diversidade nos ajuda a valorizar e proteger o habitat, porque muitas vezes o que não é conhecido acaba não sendo preservado”, conclui.

Ao reunir pesquisa científica, trabalho de campo e linguagem acessível, o Guia Ilustrado da Flora do Parque Estadual Serra de Santo Antônio se consolida como um registro relevante da biodiversidade local e como uma ferramenta que amplia o olhar sobre a relação entre sociedade e meio ambiente. Mais do que catalogar espécies, a publicação evidencia como o conhecimento produzido na universidade pode contribuir para a preservação de áreas naturais, fortalecer a educação ambiental e estimular uma visitação mais consciente a um dos principais patrimônios ambientais do Piauí.

O guia você encontra gratuitamente em https://editora.uespi.br/index.php/editora/catalog/book/284