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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ

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Pesquisadores da UESPI participam de evento sobre mudanças climáticas

Por Vitor Gaspar

Pesquisadores da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) participam do VIII Semeares, evento que trata sobre o impacto das mudanças climáticas entre os dias 23 e 26 de novembro.

O evento acontece na Universidade Federal do Piauí (UFPI) e estão convidados a participarem do encontro docentes da UESPI, entre eles, o Prof. Werton Costa, do curso de Licenciatura Plena em Geografia, e Tatiana Oliveira do curso de Licenciatura Plena em História.

Segundo a organização, neste ano, o tema será a “Ação contra a mudança global do clima”, que visa proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da Terra e deter a perda da biodiversidade.

A UESPI já desenvolve, a partir de seus pesquisadores, um trabalho pioneiro na questão da climatologia geográfica e, atualmente, conta com dois pesquisadores que trabalham, entre eles o Prof. Werton, do campus Clóvis Moura, e a Prof. Suzete Feitosa, do campus Poeta Torquato Neto, ambos de Teresina. As duas linhas de pesquisa possuem suas características próprias, no entanto, ambas convergem para emponderar as pessoas com informações estratégicas, principalmente, na informação acerca dos riscos e dos desastres socio-naturais.

Para o Prof. Werton Costa, que foi convidado a dar uma palestra sobre o tema a “Ética, mudanças climáticas e desenvolvimento territorial”, o foco do trabalho é que os alunos sejam sensibilizados sobre o papel que o clima exerce na economia e na vida das pessoas de forma geral e que eles possam ser multiplicadores dessa cultura preventiva de riscos.

“Quando nós falamos de mudanças e emergências climáticas, observamos que no cenário atual de intensificação de fenômenos severos e extremos, sabemos que os mais penalizados são os mais vulneráveis, então, a Universidade cumpre, de forma ampliada, a sua função social, tendo a compreensão de que o papel do professor é um papel cidadão buscando conscientizar o seu entorno para construir uma resiliência e uma capacidade de adaptação e de resistência”, completa o climatologista.

Professor da UESPI, Werton Costa, especialista em Climatologista

Mudanças climáticas

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) as mudanças climáticas se referem a transformações de longo prazo nos padrões de temperatura e clima. Essas alterações podem ser naturais, mas, desde o século XVIII, as atividades humanas têm sido a principal causa, principalmente por causa da queima de combustíveis fósseis (como carvão, petróleo e gás), que produzem gases que retêm o calor.

Entre as principais consequências que esse fenômeno causa estão temperaturas mais altas, tempestades mais severas, aumento da seca, um oceano cada vez mais quente e maior, perda de espécies, desabastecimento, riscos para a saúde, pobreza e deslocamento.

Para discutir essas questões está acontecendo em Sharm El Sheikh no Egito a 27ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 27, reunindo líderes mundiais em busca de uma parceria entre todos os países do mundo a fim de desacelerar o impacto que essas mudanças vão gerar em todo o globo.

Curso de Geografia promove mais uma edição da Oficina do Solo

Por Vitor Manoel

Os alunos do 4º Bloco do curso de Licenciatura Plena em Geografia promovem mais uma edição da “Oficina do Solo” no Colégio Pro Campus, localizado no Centro Sul de Teresina.

Profa. Maria Luzineide (3º da esquerda para a direita) junta com alunos do 4º Bloco e voluntários

A ação é destinada para alunos do 6º e 7º Ano do Ensino Fundamental e que estejam com o conteúdo programático na escola voltado ao estudo dos solos na disciplina de Geografia. O objetivo do projeto é ampliar o conhecimento dos estudantes de forma lúdica e com atividades práticas facilitando o entendimento de todo o conteúdo, além disso, auxilia os alunos de Licenciatura a organizarem e conviverem com o ambiente escolar, projetando a sua futura área de trabalho.

A Profa.Dra. Maria Luzineide Gomes destaca que essa é a primeira edição da Oficina depois da pandemia e que essa prática é fundamental para os alunos de Licenciatura, pois eles passam por todo o processo de confecção dos materiais e podem aprender praticando.

“É muito importante para os alunos da UESPI vivenciar a prática da docência, pois essa é a forma no qual eu posso ver se realmente eles estão compreendendo o conteúdo passado em sala de aula. Para os alunos da escola também é muito relevante que eles possam ampliar o conhecimento, para além do livro didático, pois aqui eles tem a oportunidade de tocarem nos materiais e ver como eles são produzidos. No fim das contas ganham os dois com a promoção desse evento”.

Momento de interação com os alunos da escola

A Oficina do Solo conta com exposição de materiais que mostram todo o processo como a formação, textura, as cores, o potencial artístico, confecção de tintas ecológicas, os problemas como a erosão, o manejo do solo, a questão da compostagem, dentre outras temáticas.

Luís Santiago, discente do 4º período ressalta que o evento propõe o conhecimento da preservação e conservação do solo, com dinâmicas diferentes sendo oferecidas. “Aqui nós temos jogos, brincadeiras com a tinta, as crianças ficaram impressionadas com a minhoca. Essa atividade para a gente junto com esses meninos na escola é muito importante para termos esse contato”.

Menina pintando um desenho com tinta confeccionada na Oficina

Yasmin Paula, estudante do colégio Pro Campus, comenta que todo o conteúdo foi ensinado de forma simples, de um fácil entendimento com os alunos e trazendo ótimos exemplos, mostrando a estrutura e textura dos materiais, além de conteúdos e curiosidades, que segundo ela, muitas vezes os livros não tem. “Foi muito legal para a gente ver esse conteúdo de outra forma, vendo tudo isso na vida real, podendo pegar nos materiais. Foi muito legal de se aprender”.

João Santos, egresso do curso, atualmente está realizando um mestrado e realizou uma visita ao local, curtindo todas as faces e interfaces propostas e lembrando do seu período enquanto estava praticando essa atividade. “Dá uma nostalgia até ver a oficina sendo realizada, principalmente de volta depois da pandemia e bate até um filme, pois eu lembro de  todo esse processo e fico muito feliz que a atividade continua sendo realizada e integrando esses alunos aqui no Ensino Fundamental”.

Os alunos puderam deixar sua marca com a tinta confeccionada

A Oficina do Solo acontece desde 2015 e já fez parte de Projetos de Extensão e Projetos de pesquisa estando sempre integrados com o curso de Licenciatura Plena em Geografia.

O coordenador da escola, Karpigianne Medeiros, destaca a importância dessa integração entre a escola e a Universidade e demonstra estar satisfeito com a interação entre as crianças e os universitários. “Os alunos já vão ampliando o horizonte,  já tem meninos aqui que podem tá vislumbrando já uma possível profissão por exemplo. Então é muito importante quando a gente traz essas ferramentas, essas experiências para eles é muito enriquecedora”, encerra.

Confira mais registros:

CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM GEOGRAFIA DA UESPI

O licenciado em Geografia trabalha como professor em instituições de ensino que oferecem cursos de nível fundamental e médio; poderá ainda atuar em editoras e em órgãos públicos e privados que produzem e avaliam programas e materiais didáticos para o ensino presencial e a distância. Além disso, atua em espaços de educação não formal, como feiras de divulgação científica, museus e unidades de conservação; em empresas que demandam sua formação específica e em instituições que desenvolvem pesquisas educacionais. Também pode atuar de forma autônoma, em empresa própria ou prestando consultoria, conforme os Referenciais Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação/ Secretaria de Educação Superior.

 

 

Nossas cidades estão preparadas para enfrentar essas mudanças climáticas cada vez mais perceptíveis?

Por Anny Santos

Em alusão ao Dia do Geógrafo, celebrado no dia 29 de maio, propomos uma reflexão acerca dos impactos provocados pelas mudanças climáticas, e consequentemente o aquecimento global, em decorrência da ação humana, nas cidades brasileiras.  Nossas cidades estão preparadas para enfrentar essas mudanças climáticas cada vez mais perceptíveis?

O tempo de agir em defesa das cidades e das populações já começou!

A Profa. Dra. Maria Suzete Feitosa, membro do corpo docente do curso de Geografia da nossa UESPI, destaca que as mudanças climáticas sempre existiram em nosso planeta, mas o aquecimento global se deve ao efeito estufa antropogênico, isto é, causado pela ação humana, somado ao efeito estufa natural. Ela afirma que essas mudanças são objetos de debates no meio científico devido ao fato de estarem diretamente relacionadas a falta de saneamento básico, desmatamento, queimadas e poluição, que denotam alterações atmosféricas em decorrência dos materiais lançados na atmosfera.

Profa. Dra. Maria Suzete Feitosa

Profa. Dra. Maria Suzete Feitosa chama a atenção para o debate que deve existir na sociedade

Segundo a professora, em relação as nossas cidades no enfrentamento dessas mudanças climáticas, a poluição tem sido um fator importante a ser debatido, pois tem afetado a qualidade de vida da população e contribuído para o desequilíbrio ambiental, social e econômico, em especial no espaço urbano. “A emissão de CO², proveniente da urbanização e da industrialização, o desmatamento e a poluição contribuem para o aumento das temperaturas e outros eventos climáticos que provocam consequências negativas em nossas cidades. A aceleração do crescimento das cidades, com a urbanização, impacta diretamente a atual crise ambiental”.

Outro importante fator ressaltado pela Profa. Dra. Maria Feitosa são as consequências trazidas pelo crescimento desordenado das cidades, com a redução de áreas verdes e construções em áreas indevidas, pondo em questão as enchentes e os deslizamentos em encostas devido à habitação humana em locais impróprios e à retirada da cobertura vegetal de áreas de relevo acidentado.

“Em relação a esses impactos, é de fundamental importância abordar a ausência de medidas práticas que controlem os impactos que esses aglomerados urbanos resultam. O lixo, por exemplo, é uma produção resultante do consumo e da ação humana e as políticas públicas não estão conseguindo dar conta devido a aceleração dessa produção. Outra questão importante em relação a falta de planejamento urbano é a contaminação dos mananciais, proveniente da poluição dos rios. É necessário promover políticas públicas capazes de reduzir as consequências dessas ações para amenizar os impactos dessas enchentes, inundações, deslizamentos e as outras consequências negativas. Tudo isso para melhorar a qualidade de vida da nossa população”, finaliza.

Para o Prof. Dr. Daniel César de Carvalho, docente do curso de Geografia da nossa UESPI, em Floriano, as cidades brasileiras foram planejadas a curto prazo, sem previsões acerca do crescimento exponencial da população e outras demandas importantíssimas são postas em segundo plano. Isso inclui projetos de escoamento superficial das águas pluviais, fomento a construções com eficiência térmica, maiores espaços arborizados, dentre outros. Segundo ele, a cidade só será preparada para as mudanças climáticas com gestão inteligente e educação ambiental. 

Prof. Dr. Daniel César de Carvalho

Prof. Dr. Daniel César de Carvalho chama a atenção para um planejamento permanente das cidades

“O crescimento exponencial da população aliado à falta de planejamento criam ilhas de calor, um grande problema nas zonas urbanas. Mais do que isso, com o desequilíbrio climático, todo o ecossistema é afetado e as cidades desordenadas sofrem cada vez mais com os extremos. O calor excessivo, frios que batem recordes históricos, índices pluviométricos elevados, etc. Há a necessidade de se pensar no amanhã, pois o colapso dos centros urbanos avança à medida em que esses desequilíbrios se acentuam”, destaca o professor.

Além disso, o professor pontua que o fomento à educação ambiental é o alicerce, pois, sem uma população consciente, toda ação governamental pode ruir. Ele cita a implantação de energia limpa, aumento dos espaços verdes, reciclagem de resíduos, incentivo à logística reversa de componentes eletrônicos e melhorias no transporte coletivo como possíveis medidas a serem adotadas. “A solução de imediato é a gestão eficiente da coleta de resíduos sólidos e o fomento à educação ambiental, aliado à isso, a identificação dos pontos mais vulneráveis a esses problemas e a montagem de um plano de contenção de danos, para evitar principalmente a perda de vidas humanas. O Estado não pode esperar morrer gente para tomar uma atitude, as ações devem vir antes e uma gestão inteligente de longo prazo pode evitar esses problemas”, finaliza.

A importância do Geógrafo

O profissional entende a dinâmica do espaço e auxilia o planejamento das ações do homem sobre ele. Os aspectos inseridos nos estudos da Geografia são imprescindíveis para a manutenção da vida em sociedade. Não apenas para entender as formas de relevo, os fenômenos climáticos, as composições sociais e os hábitos humanos em seus espaços, mais para manter a vida como a conhecemos ou promover adaptações e melhorias.

Para a Profa. Dra. Maria Suzete Feitosa ser geógrafa é desvendar, identificar e descrever os fenômenos que se materializam na superfície da terra e que resultantes da relação do homem com o meio onde vive. “Levamos o conhecimento da espacialidade desses fenômenos que resultam dessa relação para tornar a sociedade consciente do seu papel na produção dos mesmos. Promover esse conhecimento é de fundamental importância“.

Já para o professor Prof. Dr. Daniel César de Carvalho, o profissional de geografia é de extrema importância para “localizar” os indivíduos em um mundo globalizado, onde se faz necessário compreender como a politica é conduzida, como o meio ambiente está sendo cuidado e como todos nós podemos contribuir positivamente para uma sociedade mais justa e ambientalmente responsável.